ATUAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NA COVID 19 GRAVE PÓS ALTA HOSPITALAR

Autor:
Prof. José da Rocha Cunha

 

A COVID-19 possui características bem diversas de acordo com vários e relevantes fatores. Os pacientes que foram acometidos pela forma grave da doença, com necessidade de internação em uti e suporte ventilatório mecânico, evoluem, após a alta hospitalar, com algum ou vários tipos de sequelas, sinais e sintomas de curta ou longa duração. Segundo dados oficiais, 80% dos padecentes se incluem nessas características, necessitando de tratamento multiprofissional de médio e longo prazos.
A atuação do fisioterapeuta no processo reabilitacional dessas pessoas é de extrema relevância e é fundamental que o profissional possua bom entendimento de como acontece e evolui a sars cov2 , para que o tratamento seja o mais abrangente possível e os objetivos plenamente alcançados.
Aqui entra um ponto de extrema importância; muitos pacientes, talvez a grande maioria, será tratada por fisioterapeutas não intensivistas. Sendo assim, alguns cuidados mais específicos podem passar despercebidos por falta de experiência e o tratamento se tornar limitado.
É fundamental frisar que o fisioterapeuta intensivista é (ou deveria ser) o mais generalista de todos, pois apesar de o quadro respiratório ser a prioridade zero, não se pode deixar de abordar a pessoa como um todo, nem desconsiderar as co-morbidades. Sou defensor antigo da visão generalista no tratamento do paciente crítico e isso, a meu ver, torna o fisioterapeuta um profissional indispensável na unidade crítica.
Observa-se várias iniciativas da saúde pública de criação de ambulatórios específicos para tratamento pós-covid19; todas são importantes, mas o foco está muito direcionado à fisioterapia respiratória, o que também é importante, mas não o suficiente.
As sequelas são variadas, assim como as co-morbidades, havendo necessidade de abordagem individual, pois cada caso é um caso, apesar de semelhanças entre si. Além disso, nem todos os pacientes podem se deslocar, necessitando de tratamento domiciliar, o que pode ser um complicador, dependendo do quadro apresentado.
Por todo o exposto torna-se evidente que os pacientes necessitam ser tratados com abordagem clínica generalista se quisermos obter êxito pleno. Nossos sistemas são interdependentes e não é viável um tratamento parcial. É uma situação delicada; os atendimentos são longos e precisam de monitoração permanente para evitar quaisquer intercorrências.
Desta forma, a proposta do presente curso é fornecer subsídios que possibilitem ao fisioterapeuta essa abordagem ampla, percebendo detalhes fundamentais a partir do exame clínico amplo e abrangente, que norteará os diversos tópicos fisioterapêuticos. Não ensinarei a tratar, mas trarei orientações que, certamente, contribuirão para direcionar de forma mais segura os procedimentos a serem realizados, assim como a monitoração necessária ao longo do atendimento, além de reflexões que reputo importantes no nosso espectro profissional.
Espero você. Abraço.